quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Diário de uma Voluntária de Saltos #2

Hoje foi o 1º dia, a sério que tive com a minha Amiga Pequena. Estava um bocadinho ansiosa porque não sabia bem o que iria fazer durante uma hora com ela, uma vez que não nos conhecia-mos. Até já tinha pedido conselhos a um amigo que já participa no Projeto desde o ano passado. No entanto, o que inicialmente parecia "demasiado" tempo, tornou-se em menos de um instante.
Foi buscá-la à sala, uma vez que, quando cheguei, a aula ainda estava a decorrer. A professora chamou-a e ela veio a correr ter comigo e agarrou-se, toda feliz da vida, às minhas pernas (afinal, para além de visitas, ainda pode sair mais cedo da aula, o que pode uma criança mais pedir?) "Eu já sabia que tu vinhas hoje" diz ela, com o maior sorriso (vá, devo confessar que o meu cubo de gelo derreteu com este gesto de ternura).
Pousei as minhas coisas numa sala, e pedi que me apresentasse a escola, juntamente com uma coleguinha dela, que é Amiga Pequena de uma amiga minha (que também veio comigo e faz parte deste Projeto). Enquanto a minha amiga e o rebento dela iam, descontraidamente pelos corredores, a Nicole, apesar de, inicialmente, me ter dado a mão, em menos de segundos já estava a correr pelo corredor fora e a espreitar pelas fechaduras. Depois da visita guiada, ao que me pareceu um pequeno labirinto, fomos para uma salinha onde havia livros, filmes e uns computadores (da idade da pedra). Perguntei-lhe o que queria fazer, automaticamente foi à procura de livros. Em menos de 2 minutos, já tinha tirado para aí uns 3 da estante e já os tinha "lido" todos. Perante tanta agitação, propus que fizesse um desenho. Concordou. Abri o meu caderno (supostamente da faculdade, mas que, muito provavelmente, ela vai dar mais uso do que eu) tirei o meu estojo onde tenho umas canetas com cores e elas lá esteve entretida durante 5 minutos, até decidir ir fazer outra coisa, e voltar ao desenho. É uma criança cheia de energia e vitalidade. Dificilmente está sentadinha e entretida. Só está bem a  correr de um lado para o outro ou a saltar (mas deixam este miúda ligada à corrente durante a noite?!).

Obra de arte nº1


Saímos para ir buscar o lanche da manhã. Estava na hora do intervalo e os outros meninos viram-nos a entrar de novo para a sala. Toda social, e mandona, começa a convidar umas amigas para virem para a sala e a mandar outras embora. Quando dou por ela já estão mais 3 ou 4 crianças na sala. Pede-me que lhe leia uma história porque diz que gosta que leia para ela. Sento-a ao meu lado e começo a ler. Não passam nem 2 minutos e ela já está na outra ponta da sala em cima de uma cadeira a apagar as luzes (por algum motivo deve ter achado que aquilo era boa ideia). Acalma durante um bocado e pede-me que faça um desenho: uma casa, uma árvore que dê laranjas e morangos, e uma flor. Enquanto me dá as indicações da tarefa a realizar, diz-me que devo contornar o desenho com uma caneta (um marcador verde florescente que tinha no estojo) e que depois apagasse as linhas a lápis (sim, senhora professora!). Disse-lhe que eu desenhava, mas que tinha de ser ela a contornar. Aceitou e assim foi. Sentamos-nos as duas na mesma cadeira (vá-se lá saber onde a outra foi parar) e, para minha grande surpresa, ali ficou ela a contornar, toda trapalhona e apressada, como já percebi ser caraterístico nela. Pede-me para ficar com o desenho, digo-lhe que sim e peço-lhe para arrumar as coisas, pois está na hora de me ir embora. "Mas já?! Só mais um bocadinho!" Consegue roubar 10 minutos a mais do que o tempo previsto. Prometo-lhe  que voltarei todas as quartas à mesma hora. Levo-a à sala e ela, com o maior sorriso na cara pergunta-me: "Vens passar o Natal comigo?" Ok, desta é que não estava mesmo à espera...! Derreti-me qual cubo de gelo em plena tarde de Agosto. "Vais portar-te bem?" disse eu, "Sim" responde ela. "Então vou pensar nisso." disse-lhe. Quando estava prestes a entrar para a sala, agachei-me e pedi-lhe um beijinho. Deu-me um beijo e um abraço tão grandes que quase que ia tombando para o lado. E lá voltou ela para a sala.


Obra de arte nº2


É uma terrorista em ponto pequeno. Sei que, muito provavelmente, não é sequer exemplar nas aulas e que, talvez, isso se possa dever a falta de atenção por parte da família ou algo do género. Depois de sair da escola, apanhei uma valente molha, saí de lá cansada mas imensamente feliz. Apesar de todas as travessuras típicas de uma criança desta idade, aquele beijo e abraço, no final da manhã, compensaram tudo! Aquela hora passou num instante e, neste momento, mal posso esperar por a voltar a ver para a semana. Só consigo pensar nas atividades que posso fazer com ela para a semana. Tenho que pensar em alguma coisa... ou em várias, que ela farta-se num instante.
As crianças são mesmo o melhor do Mundo!


Lembrem-se:
Keep your heels, head and standards high,
Vanessa S.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O Fim do Chocolate?!

Hoje parecia um belo dia de chuva, como tantos outros que este Outono/Inverno nos reserva, mas longe estava eu de imaginar o que me esperava.
Mais um dia de faculdade, como tantos outros no semestre, quando uma amiga minha me decide brindar com a seguinte notícia: - Olha, nem sabes! Li uma notícia ontem a dizer que o chocolate pode acabar!!
Desculpa?! Como é que é?! Devo estar a perceber mal de certeza!! Mas o que é isto? Um ultraje! Uma hecatombe!
Acabem com os feriados (os poucos que nos restam), com as festas académicas, com a época de saldos, mas o chocolate é  que não!!

Ver notícia aqui


Expliquem-me! Vá, expliquem-me como é que vou sobreviver à época de exames? E não finjas que não enfardas chocolates como se a tua média dependesse disso, porque todos sabemos que é verdade.
Escusado será dizer que fiquei deprimida para o resto do dia.
Só vos digo uma coisa: se, por mero acaso, uma onda de assaltos invadir  super e hipermercados, lojas de conveniência e mercearias de bairro, devo dizer, em minha legítima defesa, que não tenho nada a ver com isso...
Com tudo isto, resta-me apenas atestar a despensa e rezar para que não passe de um falso alarme.


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Vanessa S.

domingo, 16 de novembro de 2014

De Saltos às Compras #4

Já há imensoooo tempo que andava à procura de um colete de pêlo (bem sei que estou um bocado atrasada na tendência). Para falar verdade, eu ver, ver, já tinha visto muitos. O preço é que nunca me agradou... Recusava a dar 30€ ou 40€ por um bocado de pêlo sem mangas! Por mais giro e tendência que fosse!
Então, andava eu a passear pela Primark, a fingir que não tenho uma resma de artigos e trabalhos da faculdade para fazer, como se tudo nesta vida fossem arco-íris e unicórnios, quando vejo um colete de pelo num manequim assim num tom castanho-acinzentado. Pensei que não ia haver o meu número, como quase sempre acontece na Primark, mas não! O 1º do cabide era o meu número e adivinhem o preço: 15€!!! Foi o destino! Pertencíamos um ao outro!





Este colete é de pêlo sintético à frente e atrás (e já tem nome, é o tambor*),  tem malha dos dois lados e fecho à frente. Para ser perfeito só faltam mesmo os bolsos que dão sempre jeito.


Também gostam desta tendência de usar pêlo sintético?


*se percebeste a referência ao filme do Bambi, tiveste uma infância feliz :)



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Vanessa S.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Diário de uma Voluntária de Saltos #1

Sempre achei muito importante a prática de voluntariado. Uma experiência de vida em que (todos dizem) recebemos muito mais do que o que damos. Finalmente, ganhei coragem e cheguei-me à frente! Apesar de já praticar voluntariado interno na minha faculdade (na receção e acompanhamento de alguns alunos do 1º ano que, devo confessar, está a ser fantástico) decidi praticar voluntariado com crianças.
Abracei o Projeto Amigo Grande, Amigo Pequeno.

"Consiste no estabelecimento de uma relação de confiança e amizade entre um jovem universitário e uma criança sinalizada durante 1 ano."

No fundo, é-nos atribuída uma crianças com problemas de auto-estima, falta de confiança, carências afetivas... O que se pretende é dar carinho, que é o que falta a estas crianças que, por vezes, vivem com famílias desestruturadas. Estamos com a criança uma hora, uma vez por semana. Para nós é, pouco relativamente a tempo mas, para ela, representa muito.
Ontem fui, pela primeira vez, à escola para saber qual seria o meu Amigo(a) Pequeno(a). Ia ansiosa e curiosa pois não sabia bem o que esperar ou o que havia de encontrar. Entramos na escola, e somos "recebidos" por um rapazito, com cara de reguila, que andava a correr pelos corredores. Estivemos algum tempo na reunião (que foi "interrompida" por alguns curiosos que iam abrindo a porta) e fui brindada com uma Amiga Pequena do 1º ano.  
Apresentaram-nos a professora, que nos convidou a ir à sala de aula apresentar-nos ao pequenos. Quando entro pela sala o meu 1º pensamento foi: "Ohh! Eles são tão mais pequeninos do que eu estava à espera!". Tinham todos cara de safados mas, aqueles enormes e tímidos sorrisos, derreteram-me completamente. A professora introduz-nos, explica porque estamos ali e, de repente, esta "grita": "Nicoooole!". Olho para uma menina, na fila da frente, com o cabelo pelos ombros e sorriso ternurento que, depois daquela chamada de atenção, ficou super envergonhada. "É a minha", sorrio para ela e pisco-lhe o olho (não sei bem se ela reparou). Ainda não sabe que sou a Amiga Grande dela, mas vai ficar em breve. 
Este voluntariado tem a duração de 1 ano (até ao final do ano letivo). No entanto, é possível dar acompanhamento à nossa criança até esta terminar o 4º ano (altura em que mudam de escola). Estive naquela sala só durante 5 minutos mas, ao ver a minha Amiga Pequena, pensei que a vou querer acompanhar o máximo de tempo que puder (este ano está garantido!). 
Estou muito feliz por estar integrada neste projeto, apesar de anda não ter começado. Vou começar para a semana e, sinceramente, estou (como se diz em bom português) cheinha de miaúfa! Medinho! Ainda não sei bem o que lhe vou dizer quando me apresentar oficialmente, entre vários outros medos me "atormentam" a alma: "E se ela não gostar de mim?", "E se, realmente, não a conseguir ajudar?"... 

Tentarei todas as semanas registar e partilhar aqui no blog a minha experiência de voluntariado que, uma vez que envolve crianças, será imprevisível. 

E vocês praticam ou já praticaram voluntariado?
Partilhem as vossas experiências pessoais :)

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Vanessa S.

sábado, 8 de novembro de 2014

Boas Surpresas da Vida

É difícil de explicar e ainda mais complicado de compreender, mas há pessoas que, apenas por serem quem são me conquistam. Pessoas que, apesar de as conhecer à pouquíssimo tempo, já conquistaram um lugar muito especial no meu cubo de gelo, a que muitos costumam chamar de coração. 
É uma grande empatia, uma enorme felicidade e tanta confiança que, nem sei bem como surgiu... Só sei que já não me imagino sem elas. É como se tivessem passado de conhecidos, automaticamente para membros da família (como se, realmente, fosse necessário subir de estatuto em estatuto para atingir tal cargo).
Não sei bem como, mas sinto que estarão lá sempre para mim, assim como estarei cá sempre para elas. Não como "paga" ou retribuição do que fazem/poderão fazer por mim, mas porque quero, também eu, fazer parte das suas vidas. 

"As coisas boas chegam com o tempo. As melhores, de repente"

Confirma-se.

"Há amigos que se tornam família"

A família que eu escolhi.
São as boas surpresas da vida!







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Vanessa S.

sábado, 1 de novembro de 2014

O Pedido de Pizza mais Chocante do Mundo

Aparentemente, tudo parecia indicar que se tratava de um banal e corriqueiro pedido de pizza, mas não era...
Podia parecer uma brincadeira, por sinal, de muito mau gosto, mas não era...

Uma mulher, vítima de violência doméstica, ligou para pedir ajuda enquanto fingia que estava a pedir uma pizza. Esta foi a forma que esta mulher arranjou de não chamar à atenção do agressor que se encontrava a seu lado:


“- 911 (serviço de emergência dos Estados Unidos), qual é a emergência?

- Rua Maine, 123.
- Ok, o que está acontecendo aí?
- Eu gostaria de pedir uma pizza.
- A senhora ligou para o serviço de emergência.
- Sim, eu sei. Quero uma pizza grande, meia pepperoni, meia cogumelo com pimentão.
- Mmmm, desculpe, você sabe que ligou para o 911, certo?
- Sim, você sabe quanto tempo vai demorar?
- Ok, está tudo bem aí? A senhora está em uma emergência?
- Sim, estou.
- E não pode falar porque tem alguém ao seu lado?
- Correto. Você sabe quanto tempo vai demorar?
- Tenho um policial há cerca de dois quilómetros da sua casa. Há alguma arma na casa?
- Não, até logo, obrigada.”









Felizmente, do outro lado da linha, a vítima encontrou alguém que se apercebeu de que algo não estava certo e conseguiu dar o encaminhamento correto à ocorrência.
Um verdadeiro ato de coragem.

Infelizmente, estes casos acontecem mais do que pensamos.
Ficar calado não é a solução! Denunciem estes monstros! Ninguém merece viver assim!

Há sempre uma forma de sair desta situação, contactem a APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) www.apav.pt :

APAV- Serviços Centrais de Sede
Rua José Estêvão, 135 A, pisos 1/2

1150-201 Lisboa
Portugal
telefone: 21 358 79 00
fax: 21 887 63 51
email: apav.sede@apav.pt


Serviços de Sede no Porto
Rua Aurélio Paz dos Reis 351 
4250-068 Porto 
telefone: 22 834 68 40 

fax: 22 834 68 41
email: sede.porto@apav.pt



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Vanessa S.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Regressão à Média

Este post nada tem a ver com estatística ou matemática. Tem antes a ver com todas as contas que fazemos à vida.
Já todos tivemos aqueles dias em que, parece que tudo acontece ao mesmo tempo. Que tudo parece o fim do mundo. Dias quase intermináveis. Aqueles em que pensamos: "Mas porque raio é que me levantei da cama hoje?!", "O que é que ando a fazer com a minha vida?!", "Porque é que isto só me acontece a mim?!". Mas também já tivemos aqueles dias em que parece que vamos rebentar de felicidade. Que não conseguimos evitar aquele sorrisinho parvo e só nos apetece dar pulos de alegria. Onde tudo parecem arco-íris e unicórnios. O que é que estas situações têm em comum? Aparentemente, nada. Mas, a verdade, é que nenhuma delas dura para sempre. Não importa o quão feliz ou tristes estejamos neste momento pois, mais tarde ou mais cedo dar-se-á uma regressão à média. Tudo voltará ao seu estado dito "normal". É como se a nossa vida fosse uma reta (apesar de todos os altos e baixos). Não interessa o quanto à frente ou trás estamos posicionados nela, mais tarde ou mais cedo, regressaremos ao centro.
É como se costuma dizer: "Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe".
Por isso, se estás a passar por uma situação menos boa lembra-te disto. Melhores dias virão, tenho a certeza!








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Vanessa S.