"Então, como é que correu o último dia de voluntariado?"
Birra: nível master!
Quando lá cheguei estavam a fazer uma ficha de avaliação. A professora deixou que dessemos uma ajudinha. A Nicole estava a "tentar" fazer um exercício de correspondência de imagens às respetivas palavras (dado, pão, leite...). Sim, a "tentar" porque, no fundo, ela ligava as imagens à primeira palavra que lhe parecia ser a correta, sem se dar ao trabalho sequer de ler. Ela sabe as letras se eu lhe perguntar, junta-las já demora mais tempo e nunca o faz por iniciativa própria. Se não puxar por ela desiste muito facilmente.
Pela primeira vez fui confrontada com o pensamento da possibilidade de chumbar. Estamos a meio do ano letivo e ela ainda tenta adivinhar a palavra que está escrita em vez de a ler. Sente-se uma grande desigualdade naquela sala. Há alguns miúdos que sabem fazer as coisas bem mas, a maioria tem muitas dificuldades. São vinte e muitas crianças para apenas uma professora. É uma turma muito grande para conseguir dar resposta às necessidades de todas as crianças. É impossível dar a atenção devida a cada uma delas. Para ajudar à festa, estavam lá alguns alunos do 4° ano, pois a professora havia faltado. Que orgulho neste Ministério da Educação.
Chega a hora do intervalo e começam as dores de cabeça. Estava imenso frio mas, sendo a Nicole uma teimosa de último grau, insistia em não querer vestir o casaco apesar de estar a tremer de frio (raça da miúda!). Depois de algumas vezes a dizer que se não vestisse o casaco não iamos brincar, lá o colocou sobre os ombros e fomos para o ginásio. Pouco tempo depois pediu-me para irmos para o recreio. Disse -lhe que para irmos lá para fora tinha de vestir o casaco. E assim começou a birra.
"- Não quero. Não quero.
- Não queres o quê?
- Não quero vestir o casaco!
- Ok, então ficamos aqui dentro.
- Não! Quero ir lá para fora!
- Então se queres ir lá para fora tens de vestir o casaco porque está muito frio.
- Não! Não! Não quero!"
Andou lá de um lado para o outro com cara de quem todos lhe devem e ninguém lhe paga, enquanto a Miriam andava de patins qual profissional experiente e lhe dizia que me esta a tratar mal e que se continuasse assim eu nao vinha mais. No fundo, a atiçar mais o fogo (obrigada...). Depois de se esconder atrás dos colchões de ginástica, de muito resmungar e se arrastar de um canto para o outro, foi buscar um arco. Estava com ele na mão, a roda-lo muito distraida quando acerta com ele em cheio na cabeça. Desmanchei-me a rir, não consegui conter-me. E ela também não porque fez exatamente o mesmo. Veio para mais perto de mim e, por momentos, pensei que a birra tivesse passado. Enganei-me. Passado um pouco começam as duas a discutir e volta a lembrar-se que estava amuada. Começa a testar-me. Vai para ao pé da porta. Vou também.
"- Não mandas em mim. Não me podes obrigar. Não quero vestir o casaco. Quando fores embora vou tira-lo.
- Eu não quero saber. Quando eu me for embora tu fazes o que quiseres, enquanto eu estiver aqui fazes o que eu disser."
Sem exageros esta resmungisse deve ter demorado uns 15 minutos. E nem sei como me mantive tão calma. Depois começamos uma dança. Ela saia de perto da porta depois esperava que eu não estivesse a olhar e avançava em direção da mesma. Eu olhava para ela com uma expressão séria.
"- Oh pá deixa-me!
- Não te estou a agarrar."
A dança repetiu-se pelo menos mais uma vez. Até que, por fim, veste o casaco e vai para junto da porta (novamente).
"- Quando chegar lá fora vou tirar o casaco."
Consegui manter-me assertiva e firme. Olhei-a nos olhos e disse-lhe que se livrasse de tirar o casaco lá fora. "Oh pá!" Tira o casaco e foge para o outro canto do ginásio.
Como não podia faltar, ou não era dia para nenhuma de nós, Nicole e Miriam entram em discussão. Já não sei bem como surgiu só de lembro de:
"- Vá anda cá bater anda!" ou "- Vou dizer ao meu namorado para te bater."
Aqui chateei-me mesmo. Disse-lhe que se estava a portar mal, que não estava a gostar destas birras e ameacei mesmo não voltar se ela se continuasse a portar assim. Acalmou um poouco.
Digo-lhe que está na hora de ir embora e que tem de arrumar o que desarrumou.
"- Então anda cá ajudar!
- Não é anda cá ajudar. É ajuda-me sff. E, se conseguiste desarrimar isso sozinha também consegues arrumar.
- Para a semana quero fazer um desenho. E não acabamos de ler a história!
- Está bem. E não lemos porque não quiseste."
Finalmente veste o casaco e saimos. Mesmo amuada quis dar-me um beijinho de despedida.
Não foi um dia fácil. Mas se ela é teimosa eu sou mais. E não desisto!
Desafia-me que eu estou cá para isso. Ainda vais perceber que o osso duro de roer não és tu. Sou eu.
Lembrem-se:
Keep, your heels, head and standards high
Vanessa S.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Feliz Dia do Amor
O dia de hoje é cheio de emoções para todos: para os comprometidos que têm um pretexto para fazerem o que já fazem todos os dias (andarem aos meles tipo diabetes) e para os solteiros que, com alguma azia, têm de assistir a este fenómeno pegajoso.
Mas, no meio de tudo isto, a economia cresce: a compra dos chocolates, flores, ursinhos de peluche (e tudo mais na área da pirosice) dispara, assim como a venda de rennie e gaviscon. Para ajudar à festa, temos, ao rubro, as 50 Sombras de Grey que dão lucro à Durex.
Tantas medidas de austeridade e, afinal, era só deste dia que o país precisava.
Hoje é o dia do amor. Impressionante como, muitas vezes, necessitamos de um dia para nos dedicar-mos ao que deviamos celebrar diariamente. Ainda assim, pombinhos, hoje é o dia de fazer a surpresa especial, mas vá lá, sejam originais.
Mas nem só deste tipo de relações é feito o amor. Ele vem em muitas formas, uma grande amizade (porque ouvir constantemente falar do ex, ou fazer figuras em público tem muito que se lhe diga), família (porque aturar-nos uma vida não é nada fácil...) ou um frasco de nutella (quem disse que o amor não se pode comprar?!). Surpreendam quem mais gostam, nem que seja com uma pequena mensagem. Ou acampem no sofá e vejam um filme, uma série (O Sexo e a Cidade é sempre um bom date) e comam pizza (ou outra coisa qualquer que vos vá para as coxas).
Façam o que quer que vos deixe felizes e vos apetecer porque, acima de qualquer tipo de amor, vem o amor próprio (e amanhã compensam e correm 10 Km, fazem 5 séries de 40 abdominais, 3 de 50 agachamentos e assim lá se vão as calorias de uma fatia).
Celebrem e espalhem o amor. Não só hoje, mas sempre!
Feliz Dia do Amor ♡
Lembrem-se:
Keep your heels, head and standards hight,
Vanessa S.
Mas, no meio de tudo isto, a economia cresce: a compra dos chocolates, flores, ursinhos de peluche (e tudo mais na área da pirosice) dispara, assim como a venda de rennie e gaviscon. Para ajudar à festa, temos, ao rubro, as 50 Sombras de Grey que dão lucro à Durex.
Tantas medidas de austeridade e, afinal, era só deste dia que o país precisava.
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| E isto é o que qualquer amante te sapatos precisa! |
Hoje é o dia do amor. Impressionante como, muitas vezes, necessitamos de um dia para nos dedicar-mos ao que deviamos celebrar diariamente. Ainda assim, pombinhos, hoje é o dia de fazer a surpresa especial, mas vá lá, sejam originais.
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| Os que foram fingidos não contam... |
Mas nem só deste tipo de relações é feito o amor. Ele vem em muitas formas, uma grande amizade (porque ouvir constantemente falar do ex, ou fazer figuras em público tem muito que se lhe diga), família (porque aturar-nos uma vida não é nada fácil...) ou um frasco de nutella (quem disse que o amor não se pode comprar?!). Surpreendam quem mais gostam, nem que seja com uma pequena mensagem. Ou acampem no sofá e vejam um filme, uma série (O Sexo e a Cidade é sempre um bom date) e comam pizza (ou outra coisa qualquer que vos vá para as coxas).
Façam o que quer que vos deixe felizes e vos apetecer porque, acima de qualquer tipo de amor, vem o amor próprio (e amanhã compensam e correm 10 Km, fazem 5 séries de 40 abdominais, 3 de 50 agachamentos e assim lá se vão as calorias de uma fatia).
Celebrem e espalhem o amor. Não só hoje, mas sempre!
Feliz Dia do Amor ♡
Lembrem-se:
Keep your heels, head and standards hight,
Vanessa S.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Uma Desgraça Nunca Vem Só
Fiz anos ontem e, quando me preparava para por as belas das fotos no computador, o ecrã não funcionava. Boa! Hoje de manhã fui leva-lo para arranjar (provavelmente foi o monitor que deu o berro).
Quando chego a casa, para ver o Sexo e a Cidade na Fox live como faço todos os dias, a box da televisão lembrou-se de meter férias. Boa!
Para finalizar, e como se não me faltasse mais nada, estava à espera de um mail importante que já devia ter recebido... Estranho. Preparava-me para enviar um mail para lá a referir que ainda não tinha recebido mail nenhum quando era só jajão. Afinal já o tinha recebido mas havia sido detetado como spam e tinha 48 horas para responder. Boa!
Isto hoje anda a correr-me bem. Com tanta sorte nem vou sair do sofá hoje. Só mesmo para não arriscar.
Lembrem-se
Keep your heels, head and standards hight
Vanessa S.
Quando chego a casa, para ver o Sexo e a Cidade na Fox live como faço todos os dias, a box da televisão lembrou-se de meter férias. Boa!
Para finalizar, e como se não me faltasse mais nada, estava à espera de um mail importante que já devia ter recebido... Estranho. Preparava-me para enviar um mail para lá a referir que ainda não tinha recebido mail nenhum quando era só jajão. Afinal já o tinha recebido mas havia sido detetado como spam e tinha 48 horas para responder. Boa!
Isto hoje anda a correr-me bem. Com tanta sorte nem vou sair do sofá hoje. Só mesmo para não arriscar.
Lembrem-se
Keep your heels, head and standards hight
Vanessa S.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
A Teoria de Tudo
Já tinha ouvido por aí um sururu sobre este filme e estava deveras curiosa (até acho que já tinha visto o trailer há bastante tempo atrás). Então, na terça feira passada, na companhia da minha maninha e do seu cachorro que só pedia festas na barriga, acampamos no sofá para uma sessão de cinema caseiro (vá maninha, tenho de admitir que, desta vez, a ideia foi boa).
Não havia pipocas nem lenços. Temiamos seriamente mais pela falta dos segundos, mas não foram necessários.
Este filme baseia-se numa história real onde o protagonista (Stephen Hawking) é um génio da ciência que, mais tarde, se vem a descobrir que sobre da doença do neurónio motor. Esta faz com que Stephen Hawking seja, no fundo, um prisioneiro do seu próprio corpo. Todos os seus movimentos/ações são afetados: andar, falar, engolir... Tudo menos o raciocínio. Aquando desta infeliz notícia, Hawking desenvolvia a sua tese de doutoramento em que o tema era o tempo e encontra um grande amor. A força deste casal é algo inspirador. Perante toda e qualquer contrariedade, Stephen continua a ser o grande génio que sempre foi e ultrapassa todas a barreiras que lhe são impostas com a grande ajuda da sua incansável mulher. Ela própria refere, no início, que parece não ser muito forte, mas foi a prova de que só sabemos o quão fortes somos quando a única alternativa que temos é sermos fortes.
Gostei bastante do filme, recomendo a quem goste deste género e estou a pensar em ler o livro.
O facto de saber que este teve uma história real na sua base deixa-me muito feliz. É bom saber que existem pessoas lutadoras capazes de enfrentar tudo para serem felizes.
Lembrem-se:
Não havia pipocas nem lenços. Temiamos seriamente mais pela falta dos segundos, mas não foram necessários.
Este filme baseia-se numa história real onde o protagonista (Stephen Hawking) é um génio da ciência que, mais tarde, se vem a descobrir que sobre da doença do neurónio motor. Esta faz com que Stephen Hawking seja, no fundo, um prisioneiro do seu próprio corpo. Todos os seus movimentos/ações são afetados: andar, falar, engolir... Tudo menos o raciocínio. Aquando desta infeliz notícia, Hawking desenvolvia a sua tese de doutoramento em que o tema era o tempo e encontra um grande amor. A força deste casal é algo inspirador. Perante toda e qualquer contrariedade, Stephen continua a ser o grande génio que sempre foi e ultrapassa todas a barreiras que lhe são impostas com a grande ajuda da sua incansável mulher. Ela própria refere, no início, que parece não ser muito forte, mas foi a prova de que só sabemos o quão fortes somos quando a única alternativa que temos é sermos fortes.
Gostei bastante do filme, recomendo a quem goste deste género e estou a pensar em ler o livro.
O facto de saber que este teve uma história real na sua base deixa-me muito feliz. É bom saber que existem pessoas lutadoras capazes de enfrentar tudo para serem felizes.
"However bad life may seem, there is always something you can do an succeed at. Where there's life, there's hope."
"If you are lucky enough to find love, remember it is there and don't throw it away."
"I think things can not make themselves impossible."
Lembrem-se:
Keep your heels, head and standards high,
Vanessa S.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Diário de uma Voluntária de Saltos #10
"Mas quem é que deixou a porta do congelador aberta?!"
Foi esta a reação que tive hoje quando saí de casa. Confesso que custa um pouco deixar a cama quentinha num dia destes, especialmente em época de férias. Mas, como se costuma dizer, mãos frias coração quente. E lá vou eu para mais um dia de voluntariado.
Modo de hoje: muita conversa e pouco trabalho.
Ainda presa no meio do meu habitual abraço de bom dia, fez logo questão de me dizer que não tinha o nome no quadro e que não tinha recados. Que linda, a portar-se "bem" como a Amiga Grande quer.
Foi complicado acabar o exercício depois de eu chegar. Aparentemente havia todo um leque de novidades e temas muito mais interessantes do que copiar umas letras meia dúzia de vezes.
"- A Miram já estava a dizer que vocês não vinham... Mas eu sabia que tu vinhas. E vieste!"
Senta-se, pega no lápis, olha para o livro mas não faz nada. Olha para mim e vem na minha direção como quem quer contar um segredo:
"- Sabes uma coisa, tenho um namorado.
- A serio?! Como é que se chama?
- Diogo. E é do 2º ano. Já namoramos há muito tempo sabes, desde que andavamos na creche! Desde os 3 anos!!
- Então e só me contas agora? E como é que andaram os dois juntos na creche se ele é mais velho?"
Debatemos o assunto durante uns minutos mas não chegamos a conclusão nenhuma.
"- Eu e a Íris somos namoradas dele.
- Ele tem duas namoradas?!
- Sim.
- E tu deixas?!
- Sim. A Íris é minha prima...
- Ah pronto. Assim fica tudo em família.
- Ele disse que gostava muito de mim. Disse que me amava!!
- E tu, também gostas dele?
- Sim.
- Está bem."
Como é tudo tão simples e ingénuo nesta idade. Menos o Diogo. Sim, esse é só esperto.
E eis que, de repente, ela faz A pergunta:
"- Estás em que ano? E estudas o quê?"
Pronto, cá está ela. Sinceramente, já tinha estranhado que ela nunca tivesse perguntado nada sobre a minha escola, sendo ela uma criança tão curiosa. Tentei explicar-lhe que estava numa escola de crescidos onde se aprende o que temos de fazer antes de ir trabalhar. No que toca ao que eu estudo, disse-lhe que estudava o ambiente (não podemos dizer que somos estudantes de psicologia, portanto lembrei-me de uma cadeira que tive no semestre passado Comportamento Humano e Ambiente) algo que ela não fazia a mínima do que era. Disse-lhe que tinha a ver com a poluição e as árvores... Mas a dúvida manteve-se: "-Então mas o que é que queres ser quando fores grande?". Disse-lhe que ainda não sabia, que ainda estava a pensar sobre isso. Disse-me para ser enfermeira ou médica (pffff, claro). Perguntei porque é que eu haveria de querer ser isso. Se era para tratar dela. Assim meia envergonhada disse que não. Que era porque ela também queria ser "ou médica ou enfermeira ou veterinária ou cabeleireira". Disse-lhe que ia pensar bem sobre o assunto.
Hoje foi o dia de ele ajudar a distribuir o leite na hora do lanche. E lá foi ela toda contente, qual vedeta a pavonear-se pela sala com as suas botas de glitter dourado (muito shine bright like a diamond). Enquanto lanchava perguntou-me se hoje podiamos ficar a brincar lá fora. Disse-lhe que sim, mas logo mudou de ideias quando ouviu a Miriam dizer à Amiga Grande dela que queria ir para o ginásio. E lá fomos nós, para o ginásio e mais além.
Lá andava ela entretida entre arcos, colchões, cordas e uma bola de basketball. Decide começar aos pontapés à bola. Disse-lhe que aquela bola era para jogar com as mãos e não com os pés. Volta a repetir a gracinha e volto a dizer-lhe para não fazer aquilo. E cá vai o 1º amuo (ligeiro vá) do dia. Pois é, custa ouvir não, não custa? Mas bem te podes ir habituando. Tu podes ter um feitio difícil mas eu também sei ser muito teimosa.
No meio de toda a brincadeira lá veio ao de cima a relação amor-ódio das duas. Porque uma não queria brincar com a outra, porque "já não és mais minha amiga". Dia já não era dia se não houvesse isto não é?
Farta-se e pede-me para irmos para a biblioteca. Disse que sim, mas que primeiro tinha de arrumar tudo o que tinha tirado do sítio. "Não" e vai em direção à porta. Ok, está na hora de ser assertiva e ter voz firme. Não saí do sítio e, desta vez, bastou chamar duas vezes. Arrumou tudo sozinha e fomos embora.
Quando chegamos à biblioteca pede-me para lhe ler um livro do Egas e do Becas e pergunta-me se todas as semanas lhe posso ler uma história. Disse-lhe que, se quisesse, eu o podia fazer (embora saiba que, muito provavelmente, não vai acontecer). Sentei-me ao lado dela a ler. Após 3 páginas pediu-me para passar para o final. Depois deu-me para as mãos o livro da Casinha de Chocolate mas também rapidamente se fartou. Por fim, a Cinderela. O livro preferido dela. Mas não tivemos tempo de o ler até ao fim porque estava na hora de vir embora. E, depois do 2º mini amuo do dia, concordamos em marcar o livro com um bocadinho de papel e acabá-lo para a semana. Entretanto a Amiga Grande da Miriam entra e diz que já estavam todos na sala e que iam fazer pão. Ui! Acho que nunca a vi ir para a sala com tanta pressa. Quando estou a fechar a porta já estava ela a abrir a porta da sala. "Olha xau!" gritei-lhe eu. Veio logo para trás a correr dar-me um abraço e despedir-se de mim e da outra Amiga Grande. Ai, ai minha pestinha trapalhona.
Foi esta a reação que tive hoje quando saí de casa. Confesso que custa um pouco deixar a cama quentinha num dia destes, especialmente em época de férias. Mas, como se costuma dizer, mãos frias coração quente. E lá vou eu para mais um dia de voluntariado.
Modo de hoje: muita conversa e pouco trabalho.
Ainda presa no meio do meu habitual abraço de bom dia, fez logo questão de me dizer que não tinha o nome no quadro e que não tinha recados. Que linda, a portar-se "bem" como a Amiga Grande quer.
Foi complicado acabar o exercício depois de eu chegar. Aparentemente havia todo um leque de novidades e temas muito mais interessantes do que copiar umas letras meia dúzia de vezes.
"- A Miram já estava a dizer que vocês não vinham... Mas eu sabia que tu vinhas. E vieste!"
Senta-se, pega no lápis, olha para o livro mas não faz nada. Olha para mim e vem na minha direção como quem quer contar um segredo:
"- Sabes uma coisa, tenho um namorado.
- A serio?! Como é que se chama?
- Diogo. E é do 2º ano. Já namoramos há muito tempo sabes, desde que andavamos na creche! Desde os 3 anos!!
- Então e só me contas agora? E como é que andaram os dois juntos na creche se ele é mais velho?"
Debatemos o assunto durante uns minutos mas não chegamos a conclusão nenhuma.
"- Eu e a Íris somos namoradas dele.
- Ele tem duas namoradas?!
- Sim.
- E tu deixas?!
- Sim. A Íris é minha prima...
- Ah pronto. Assim fica tudo em família.
- Ele disse que gostava muito de mim. Disse que me amava!!
- E tu, também gostas dele?
- Sim.
- Está bem."
Como é tudo tão simples e ingénuo nesta idade. Menos o Diogo. Sim, esse é só esperto.
E eis que, de repente, ela faz A pergunta:
"- Estás em que ano? E estudas o quê?"
Pronto, cá está ela. Sinceramente, já tinha estranhado que ela nunca tivesse perguntado nada sobre a minha escola, sendo ela uma criança tão curiosa. Tentei explicar-lhe que estava numa escola de crescidos onde se aprende o que temos de fazer antes de ir trabalhar. No que toca ao que eu estudo, disse-lhe que estudava o ambiente (não podemos dizer que somos estudantes de psicologia, portanto lembrei-me de uma cadeira que tive no semestre passado Comportamento Humano e Ambiente) algo que ela não fazia a mínima do que era. Disse-lhe que tinha a ver com a poluição e as árvores... Mas a dúvida manteve-se: "-Então mas o que é que queres ser quando fores grande?". Disse-lhe que ainda não sabia, que ainda estava a pensar sobre isso. Disse-me para ser enfermeira ou médica (pffff, claro). Perguntei porque é que eu haveria de querer ser isso. Se era para tratar dela. Assim meia envergonhada disse que não. Que era porque ela também queria ser "ou médica ou enfermeira ou veterinária ou cabeleireira". Disse-lhe que ia pensar bem sobre o assunto.
Hoje foi o dia de ele ajudar a distribuir o leite na hora do lanche. E lá foi ela toda contente, qual vedeta a pavonear-se pela sala com as suas botas de glitter dourado (muito shine bright like a diamond). Enquanto lanchava perguntou-me se hoje podiamos ficar a brincar lá fora. Disse-lhe que sim, mas logo mudou de ideias quando ouviu a Miriam dizer à Amiga Grande dela que queria ir para o ginásio. E lá fomos nós, para o ginásio e mais além.
Lá andava ela entretida entre arcos, colchões, cordas e uma bola de basketball. Decide começar aos pontapés à bola. Disse-lhe que aquela bola era para jogar com as mãos e não com os pés. Volta a repetir a gracinha e volto a dizer-lhe para não fazer aquilo. E cá vai o 1º amuo (ligeiro vá) do dia. Pois é, custa ouvir não, não custa? Mas bem te podes ir habituando. Tu podes ter um feitio difícil mas eu também sei ser muito teimosa.
No meio de toda a brincadeira lá veio ao de cima a relação amor-ódio das duas. Porque uma não queria brincar com a outra, porque "já não és mais minha amiga". Dia já não era dia se não houvesse isto não é?
Farta-se e pede-me para irmos para a biblioteca. Disse que sim, mas que primeiro tinha de arrumar tudo o que tinha tirado do sítio. "Não" e vai em direção à porta. Ok, está na hora de ser assertiva e ter voz firme. Não saí do sítio e, desta vez, bastou chamar duas vezes. Arrumou tudo sozinha e fomos embora.
Quando chegamos à biblioteca pede-me para lhe ler um livro do Egas e do Becas e pergunta-me se todas as semanas lhe posso ler uma história. Disse-lhe que, se quisesse, eu o podia fazer (embora saiba que, muito provavelmente, não vai acontecer). Sentei-me ao lado dela a ler. Após 3 páginas pediu-me para passar para o final. Depois deu-me para as mãos o livro da Casinha de Chocolate mas também rapidamente se fartou. Por fim, a Cinderela. O livro preferido dela. Mas não tivemos tempo de o ler até ao fim porque estava na hora de vir embora. E, depois do 2º mini amuo do dia, concordamos em marcar o livro com um bocadinho de papel e acabá-lo para a semana. Entretanto a Amiga Grande da Miriam entra e diz que já estavam todos na sala e que iam fazer pão. Ui! Acho que nunca a vi ir para a sala com tanta pressa. Quando estou a fechar a porta já estava ela a abrir a porta da sala. "Olha xau!" gritei-lhe eu. Veio logo para trás a correr dar-me um abraço e despedir-se de mim e da outra Amiga Grande. Ai, ai minha pestinha trapalhona.
Lembrem-se:
Keep your heels, head and standards high,
Vanessa S.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Preto, Branco ou Cinza?
Onde está a barreira entre o certo e o errado? O bem e o mal? Entre o que devemos e o que queremos fazer?
Nada é assim tão linear e simples. Muitas vezes não conseguimos separar as coisas por preto ou branco. Ao que parece, a vida é pintada em vários tons de cinza...
Então como é que é suposto saber o que fazer? Que decisão tomar nesta sociedade que nos diz para sermos nós próprios e depois nos critica por o fazermos?
Só nós podemos responder a esta questão. Mas o difícil é chegar a essa resposta.
Penso que a "solução" esteja no que nos faz feliz. Não no que devemos fazer, não no que os outros esperam que façamos, mas no que realmente queremos fazer. Tendemos a complicar o que é simples e, se existe algo que nos faz feliz, porque não escolher esse caminho? Preocupamo-nos excessivamente com a opinião dos outros quando somos nós que temos de viver que com as nossas decisões. As únicas considerações que devem ser levadas mais a sério são as dos que nos são próximos, porque temos a certeza que esses nos querem bem. Quanto ao resto, não passam de meros comentários.
Porquê sacrificar a nossa felicidade para, simplesmente, corresponder às expectativas da sociedade? A vida são 2 dias e o Carnaval em Torres Vedras são 5. Não devemos desperdiçar o nosso tempo com coisas que pouco significam.
Escolham ser felizes e acrescentem cor a estes tons de cinza.
Lembrem-se:
Nada é assim tão linear e simples. Muitas vezes não conseguimos separar as coisas por preto ou branco. Ao que parece, a vida é pintada em vários tons de cinza...
Então como é que é suposto saber o que fazer? Que decisão tomar nesta sociedade que nos diz para sermos nós próprios e depois nos critica por o fazermos?
Só nós podemos responder a esta questão. Mas o difícil é chegar a essa resposta.
Penso que a "solução" esteja no que nos faz feliz. Não no que devemos fazer, não no que os outros esperam que façamos, mas no que realmente queremos fazer. Tendemos a complicar o que é simples e, se existe algo que nos faz feliz, porque não escolher esse caminho? Preocupamo-nos excessivamente com a opinião dos outros quando somos nós que temos de viver que com as nossas decisões. As únicas considerações que devem ser levadas mais a sério são as dos que nos são próximos, porque temos a certeza que esses nos querem bem. Quanto ao resto, não passam de meros comentários.
Porquê sacrificar a nossa felicidade para, simplesmente, corresponder às expectativas da sociedade? A vida são 2 dias e o Carnaval em Torres Vedras são 5. Não devemos desperdiçar o nosso tempo com coisas que pouco significam.
Escolham ser felizes e acrescentem cor a estes tons de cinza.
Lembrem-se:
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Vanessa S.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Diário de uma Voluntária de Saltos #9
Hoje a capital acordou fria e ventosa e eu acordei depois de apenas duas míseras horas de sono (maninha eu sei que estás a ler isto, Starbucks às 9 da noite quando tenho de me levantar cedo no dia seguinte não foi uma brilhante ideia...). Mas nada disto impede a Amiga Grande de ir ter com a sua Amiga Pequena.
Desta vez, chego à sala e não há queixinhas da professora nem nome no quadro. Boa!
Hoje a tarefa da aula era escrever -m; -ma; -me; -mi; -mo; mu. Foi, aparentemente, fácil. Não causou grande birras nem trapalhices. O trabalho foi todo acabado antes do intervalo (Oh yeah!). Enquanto isto, parecia que eu não tinha sido a única a ter uma má noite. Uma certa e determinada pequena afirmava ter estado acordada até à uma da manhã por não conseguir dormir. Teve um pesadelo e foi para a cama da irmã. Quando tinha de se levantar é que lhe estava a saber bem dormir (conheço bem a sensação). Sempre na tentativa de me impressionar (e não sei de onde é que ela tirou esta ideia), contou-me que uma vez tinha saído pela janela uma vez, agarrada a um cortinado para ir ter com o pai. E isto do último andar atenção! Humm humm... claro. Acho que temos acrobata de circo. O festival de Monte Carlo que se prepare!
Todos estes relatos foram acompanhados de muitos miminhos: ora me abraçava e dava beijinhos, ora se sentava ao meu colo. Tenho muita sorte.
Chega a hora de distribuir os leites e os pães e fica sempre tudo em alvoroço. Todos querem ajudar e andar a cirandar de um lado para o outro na sala. Hoje uma das meninas a distribuir o leite era loirinha de olhos claros (no fundo, uma bonequinha). Não sei como se chama, mas é muito simpática. Cumpria meticulosamente a tarefa que lhe havia sido atribuída, com toda a responsabilidade e seriedade que esta implicava. Quando chega à altura de dar o leite à Nicole, olha para mim e diz:
"- Amiga Grande, também queres um?"
Foi uma ternura. Devo ter esboçado o maior sorriso possível.
"- Não amor, obrigada."
Quanto à hora da brincadeira, começamos por um aquecimento com os patins no ginásio, uns saltos no colchão...nada de especial para esta atleta. Depois, decidiu que queria fazer um desenho. Fomos para a sala. Fiquei proibida de espreitar, porque o desenho era para mim. E, como eu sou uma Amiga Grande muito linda e obediente, foi isso que fiz. E lá chegou a hora das queixinhas daquela relação amor-ódio que é a Nicole e a Miriam. Mais um desentendimento. O costume. Começo mesmo a achar que elas não conseguem viver sem isto. A verdade é que têm as duas um feitiozinholixado. Não deu tempo para acabar o desenho, mas disse-me que mo dava para a semana. Hoje não houve birras de despedida, apenas um beijo (ela estava demasiado ocupada a acabar a sua obra prima).
Mais aventuras para a semana.
Desta vez, chego à sala e não há queixinhas da professora nem nome no quadro. Boa!
Hoje a tarefa da aula era escrever -m; -ma; -me; -mi; -mo; mu. Foi, aparentemente, fácil. Não causou grande birras nem trapalhices. O trabalho foi todo acabado antes do intervalo (Oh yeah!). Enquanto isto, parecia que eu não tinha sido a única a ter uma má noite. Uma certa e determinada pequena afirmava ter estado acordada até à uma da manhã por não conseguir dormir. Teve um pesadelo e foi para a cama da irmã. Quando tinha de se levantar é que lhe estava a saber bem dormir (conheço bem a sensação). Sempre na tentativa de me impressionar (e não sei de onde é que ela tirou esta ideia), contou-me que uma vez tinha saído pela janela uma vez, agarrada a um cortinado para ir ter com o pai. E isto do último andar atenção! Humm humm... claro. Acho que temos acrobata de circo. O festival de Monte Carlo que se prepare!
Todos estes relatos foram acompanhados de muitos miminhos: ora me abraçava e dava beijinhos, ora se sentava ao meu colo. Tenho muita sorte.
Chega a hora de distribuir os leites e os pães e fica sempre tudo em alvoroço. Todos querem ajudar e andar a cirandar de um lado para o outro na sala. Hoje uma das meninas a distribuir o leite era loirinha de olhos claros (no fundo, uma bonequinha). Não sei como se chama, mas é muito simpática. Cumpria meticulosamente a tarefa que lhe havia sido atribuída, com toda a responsabilidade e seriedade que esta implicava. Quando chega à altura de dar o leite à Nicole, olha para mim e diz:
"- Amiga Grande, também queres um?"
Foi uma ternura. Devo ter esboçado o maior sorriso possível.
"- Não amor, obrigada."
Quanto à hora da brincadeira, começamos por um aquecimento com os patins no ginásio, uns saltos no colchão...nada de especial para esta atleta. Depois, decidiu que queria fazer um desenho. Fomos para a sala. Fiquei proibida de espreitar, porque o desenho era para mim. E, como eu sou uma Amiga Grande muito linda e obediente, foi isso que fiz. E lá chegou a hora das queixinhas daquela relação amor-ódio que é a Nicole e a Miriam. Mais um desentendimento. O costume. Começo mesmo a achar que elas não conseguem viver sem isto. A verdade é que têm as duas um feitiozinho
Mais aventuras para a semana.
Lembrem-se:
Keep your heels, head and standards high,
Vanessa S.
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