quinta-feira, 12 de março de 2015

Os meus Alguéns

Ontem acordei rabugenta. Apática. Meia dormente da vida. Não sei... Ontem não era o meu dia. Apesar de tudo, levantei-me (ainda que por um ato de inconsciência) e segui a minha rotina.
Como já tinha acordado em cima da hora, não tive tempo de beber o meu cafézinho matinal (isto, só por si, já se poderia considerar um mau presságio). Passei todo o dia assim meia desligada de tudo o resto. Mas, quando já não dava nada pelo meu dia, as nuvens carregadas que pairavam sobre a minha cabeça dão lugar a um céu pouco nublado. Um peso que pensava não existir (talvez por, de algum modo, já me ter habituado a ele) saiu-me de cima dos ombros. "Problemas" que pensava já não me incomodarem, passaram a incomodar-me ainda menos. Os meus alguéns não desiludem. Os meus alguéns não perguntam mas sabem, não precisam de ver para compreender e estão sempre lá mesmo quando não estão. Os meus alguéns dizem-me aquilo que preciso de ouvir mesmo quando não sei o que isso realmente seja. São sinceros e não têm medo na voz quando falam comigo. Ouvem-me, compreendem-me e, no entanto, não têm problemas em discordar se tal for o caso. Os meus alguéns (talvez sem que se apercebam) tornaram o meu dia menos cinzento.
Podemos ser muito independentes e senhores do nosso nariz, mas a vida só faz sentido quando é partilhada. Eu partilho a vida (e rabugice) com os meus alguéns. São os melhores que podia ter.






Lembrem-se:
Keep your heels, head and standards high,
Vanessa S.

Diário de uma Voluntária de Saltos #15

"Levantei-me mas ainda não acordei."

Este foi o meu estado hoje de manhã (que, a bem dizer, se prolongou pelo resto do dia). Dei início à minha vidinha completamente em modo zombie (nem sei como é que não assustei as crianças quando cheguei à escola).
Entro na sala. Ainda estava a pousar as minhas coisas e já estava a ser brindada com um abraço e um beijinho. Depois da boa receção, Nicole de seu nome, volta a sentar-se e lê. Sim, ela por livre e espontânea vontade, sem que eu lhe tenha pedido ou a professora lhe tenha mandado, começa a juntar as letras e a ler uma ficha que havia  sido entregue (qualquer coisa sobre um macaco que caiu, não me recordo bem). Entretanto diz-me para eu me sentar na cadeira com ela e continua a ler. Encosta-se a mim e, mesmo sem que mo diga diretamente, pede-me miminhos. Ponho o meu braço à volta dela e vou passando os meus dedos pelos seus cabelos. Entretanto a professora pede voluntários para continuar a leitura que alguém havia começado. Ela põe o braço no ar, a professora dá-lhe a palavra mas ela não sabe onde é que a leitura tinha parado. É mesmo cabeça na lua.
Senta-se ao meu colo e depois no meio das minhas pernas. A professora distribui o lanche da manhã e ela começa a por-me a par das novidades: tem um colar novo que a avó lhe deu mas que não a deixa trazer para a escola e que a Débora (acho eu) ia a casa dela no sábado e iam brincar muito.
A hora do intervalo chega e hoje o pedido é para ficarmos cá fora a brincar todas (que bom, logo no dia em que estou com menos energia).
Antes de sairmos cá para fora:
"- Hoje não vou vestir o casaco porque não trouxe.
- Não trouxeste?
- Não.
- De certeza.
- Sim.
- Não me estás a mentir?
- Pronto, eu trouxe mas é fininho...".
Ahhhh, achavas que me passavas a perna sua malandreca!
Desta vez cedi eu. Fomos brincar para o sol e, como não estava frio, não viria grande mal a o Mundo.
Começamos por jogar à apanhada.  As outras meninas, inicialmente, estavam com vergonha de me apanhar mas, depois de a Nicole o fazer seguiram-lhe o exemplo. Foi engraçado porque mal precisava de me mexer (yes!). Bastava eu esticar o braço para apanhar quem me tinha apanhado (estes crescidos são mesmo manhosos). Depois passamos para uma versão mais atual do lencinho (tão atual que nem inclui lenço). Até correu bem, tirando o facto de a minha peste ser uma mandona e muitas vezes não conseguir aceitar o facto de que nem sempre os outros querem fazer o mesmo que ela. Ainda tem muitas dificuldades em ceder e em dizer não.
Entretanto as auxiliares trazem uma mesa para o recreio para venderem bolos com o objetivo de juntarem dinheiro para um passeio de fim de ano. Ok, eu percebo que esta seja a forma mais fácil de angariar fundos, mas a última coisa de que estas crianças precisam é de mais açúcar. É assustador a quantidade de bolos, sumos, e pastilhas que os pais dão aos filhos para eles comerem nos intervalos. Com isto, eles não vão descansar enquanto não arranjarem forma de levar dinheiro para a escola para enfardarem mais porcarias. Já estava na altura de alguém começar a tomar consciência do que se passa... É realmente impressionante. Escusado será dizer que, à volta da mesa estavam um bando de crianças que não arredavam pé (garanto-vos que, se os olhos comessem, aquela mesa tinha ficado limpinha num instante!).
Aproximava-se a hora de despedida e a Nicole olha para mim e diz:
"- Podes ir-te embora. Eu agora queria brincar com as minhas amigas."
Olha para as amiguinhas e diz:
"- A minha Amiga Grande agora tem de ir estudar."
Olhem-me a lata deste piolho! No início só queria mimo e agora manda-me embora. Estou tramada...
Fui ver se a outra Amiga Grande já estava despachada para nos irmos embora. Entretanto vêm duas pequenas atrás de mim: a Íris e a Anaísa (acho que é assim que ela se chama... já deu para perceber que sou péssima com nomes não já?). Elas não têm Amigas Grandes e têm alguma dificuldade em perceber porque é que isso acontece se se portam bem. Claro que todos querem ter Amigos Grandes. Quem é que não quer alguém que brinque com eles e lhes dê mimo quando quiserem? Portanto, enquanto a Nicole estava a praticar a sua independência, eu andava com 2 atrelados à volta da minha cintura. Ganhei mais duas pestes.



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Keep your heels, head and standards high,
Vanessa S.

terça-feira, 10 de março de 2015

De Saltos por aí... | Choupana Caffe

Quem me conhece sabe que eu adoro o Choupana Caffe. Vou lá com alguma frequência (dar aquela facadinha na dieta) porque, para além de gostar da comida (tudo o que tenha bolos para mim é o paraíso) também gosto imenso do espaço e o atendimento é agradável. Tem um ambiente bastante familiar e acolhedor, mas evitem a hora de ponta (assim por volta das 5 h). É que aquilo é cafezinho para por a malta a fazer fila até à porta!

Para quem gosta de estudar fora de casa é uma boa opção (uma vez que têm muito por onde afogar as mágoas) e tem uma esplanada assim mais ao estilo de um terraço interior que, apesar de não ser muito grande, fará a delícias que qualquer estudante universitário (ou não) que prefira olhar para as nuvens a ler qualquer calhamaço que seja . Calma, não quero que andem por aí a dizer que não vão caber no vosso biquíni preferido por minha causa. Há opções mais saudáveis para quem queira manter a linha (embora eu raramente opte por tais caminhos): o sumo do dia é sempre diferente e muito saboroso, assim como os batidos e iogurtes com fruta fresca e cereais que são ótimos! Para os amantes (ou viciados) em cafeína, devo dizer que os cappuccinos, lattes e afins também são maravilhosos!
Agora deixo-vos algumas fotos para que se possam babar e roer de inveja.

Croissants de chocolate (a minha iguaria preferida) e
expresso bombom de Nutella: uma mistura de café, Nutella, chantili e
provavelmente mais qualquer coisa que não identifiquei.
No fundo uma bomba calórica de pura felicidade para as minhas coxas.


Caso com quem me oferecer um destes!



Sumo de laranja e café a acompanhar uma grande seca.


Tudo o que se pode desejar para ser feliz!

Opções mais saudáveis: iogurte com uvas e
pepitas de chocolate ou melão e ananás


Expresso Chouppana com doce de leite


Bolas de berlim (não são as melhores que já comi, mas são boas)
e sumo de manga laranja.


Tostas de frango (de comer e chorar por mais!!)
e sumo de banana e morango


















Então, ficaste convencido(a)? Pelo menos de água na boca aposto que sim!

Fica perto do metro do Saldanha. Se puderem dêem lá um saltinho. Prometo que não se vão arrepender!



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Vanessa S.

domingo, 8 de março de 2015

Dia Internacional do ser mais Fantástico à face da Terra

Hoje (tal como todos os outros dias do ano), é o dia de um ser mais fantástico à face da terra: a Mulher. Um ser que, ao longo de toda a história, tem vindo a crescer e a lutar pelos seus interesses e pelo seu futuro. Um ser que é capaz de fazer tudo o que quiser e, se for preciso, de saltos altos.
No entanto, apesar de tudo isto, é também um ser que ainda não se deu conta de todas as suas potencialidades e do quão longe pode chegar. É verdade que somos em maior número nas faculdades, mas somos uma minoria em cargos de chefia. É verdade que somos mais qualificadas e, nem por isso somos as mais bem pagas. É verdade que somos mulheres, mães (e, às vezes, pais), filhas, amigas, donas de casa, profissionais e, ainda assim, somos muitas vezes consideras o sexo fraco. Tudo isto é verdade mas acredito que, aos poucos, isto está a mudar. Todos os dias damos provas do que valemos e, se achavam que só soltavamos as feras que há em nós quando nos tocavam nas crias, agora começam a aperceber-se que o mesmo acontece profissionalmente. A mulher tornou-se um verdadeiro animal profissional e isto intimida alguns homens. No fundo eles sabem que, sem nós, seriam muito pouco (ou mesmo nada), só ainda não estão prontos para o admitir (são seres mais limitados, a seu tempo também lá chegarão). Ainda assim, para todos os homens das cavernas que continuam a achar que o lugar da mulher é na cozinha, só posso crer que nunca souberam o que ela é capaz de fazer no quarto (ou na sala...).
Acho que estamos a remar na direção certa e iremos chegar a bom porto. Passos pequenos e firmes. Enquanto não conquistamos o Mundo, vamos escolhendo a roupa que mais se adequa à ocasião.

Feliz Dia Internacional da Mulher!






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quinta-feira, 5 de março de 2015

Diário de uma Voluntária de Saltos #14

Acho que ainda estou meia parva com o meu dia de voluntariado de ontem. Não me interpretem mal, correu tudo bem. Bem demais até!
Chego à porta da sala e, em vez do habitual alvoroço, o que é que se ouve? NADA! Ao que parece, a professora Marta estava doente e veio outra substituí-la: A Encantadora de Pestes. Nunca os tinha visto tão quietos, calados e sérios. Fiquei, completamente, de queixo caído. Estava à porta da sala e, como a professora não estava familiarizada com o projeto decidi deixar os trabalhos um bocadinho de lado. Ia ser uma hora só de brincadeira. A Nicole, caladinha que nem um rato, só se levantou quando lhe fiz sinal para vir ter comigo (que linda!).
A Miriam não estava, por isso calculei que seria mais tranquilo (só não sabia que ia ser  tanto). Vinha super calminha. Saiu da sala, abraçou-me várias vezes e depois fomos para a biblioteca porque ela queria fazer desenhos. Sentou-se e desenhou, desenhou, desenhou... Tentei meter conversa mas não me ligou muito. Esteve nisto imenso tempo! Depois disse que queria que acabasse de  ler a história da Cinderela que haviamos começado há umas semanas atrás. Começamos a história de novo. Sentou-se ao meu colo, apoiei a minha cabeça na dela e comecei a ler. Depois de 3 páginas pediu-me para desenhar um castelo como o do livro (o que vale é que, para ela, sou melhor que o Picasso). Parei de ler e meti mãos à obra. A Amiga Grande da Miriam estava numa mesa à parte e, ora lia, ora mexia no telemóvel, ora olhava para nós. A Nicole lá achou que ela podia fazer algo mais útil do que simplesmente esperar que eu saísse e disse-lhe para se sentar ao pé e nós e, enquanto nós faziamos uma bela obra de arte, ela lia (assim toda a gente trabalha, acho justo). E assim foi. Por entre a leitura lá se ia rindo e gozando com o nariz da madrasta que parecia uma batata, com as filhas dela que eram feias ou dos seus vestidos que eram horríveis. Com tudo isto, esqueci-me do lanche. Mas ela não. Fomos para a sala e comeu num instante (qual aspirador em velocidade máxima) e depois fomos brincar cá para fora. Já estava quase na hora de ir embora e como vi que ela estava a preferir brincar com os colegas despedi-me. Houve só uma expressão um pouco menos feliz na hora da despedida, um abraço e um beijinho.



No geral, foi um dia fácil. Sem birras, sem zangas, sem gritos. Sabe bem que ela se porte bem de vez em quando. Mas, tenho que confessar, se fosse sempre assim, não me dava metade do gozo que me dá.


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Vanessa S.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Happly Ever After

Aproxima-se a estreia do filme da Disney: A Cinderela. Por isso, como forma de comemorar, Charlotte Olympia lançou uma coleção inspirada no filme. Esta inclui 4 peças (duas clutchs e dois pares de sapatos) entre as quais estas belezas.

Happly Ever After
1045€


Se a Cinderela tivesse estes sapatos, das duas uma: ou nunca os tinha perdido ou tinha voltado atrás para o ir buscar. Sim, porque ela é a prova de que um par de sapatos pode mudar a nossa vida!
No fundo, eu bem sabia em que pés é que eles teriam um final feliz... É um 36 sff.


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Vanessa S.

domingo, 1 de março de 2015

As 50 Sombras de Grey

Já meio mundo andou a dar a sua opinião sobre este filme que esteve na boca dos media, tal não foi a quantidade de publicidade e expectativas que passaram para o público. Enfim, opiniões são como vaginas: cada um tem a sua, cada um dá se quer. Depois de tudo isto, mais uma menos uma também não vai fazer moça. Assim como assim, é só uma opinião e vale o que vale.

Para começar devo dizer que não li nenhum dos livros e isso talvez possa influenciar a forma como vejo o filme assim como o seu próprio enredo. 




Começando pelo princípio: 
1º Temos um closet de sonho. A minha dúvida é como é que aquilo está tão vazio?!;
2º Grey começas logo a falhar, a primeira gravata era muito mais gira do que a que acabaste por escolher;
3º Anastasia, meu amor, acho lamentável que o motorista tenha melhor gosto para escolher roupa que tu;
4º Inicialmente temos a menina tímida, assim mesmo para o sonsinha, que se apaixona pelo bad boy (porque é como se costuma dizer: bad boys are no good, but good boys are no fun). A romântica e o não romântico. Ele explica-lhe as suas condições para um "relacionamento" que ela (ainda que não formalmente) acaba por aceitar. Depois dá-se a passagem súbita da rapariga que mal consegue por batom vermelho numa saída à noite sem que ache aquilo um exagero, para uma aspirante a safada (tudo isto em menos de uma hora). Qual é que é o problema aqui? O problema é o mesmo que acontece em todos os filmes e não só. O problema é que ele diz-lhe que, no fundo, a relação deles é só algemas e um tau-tau, mas ela, ainda que inconscientemente, fica à espera que ele a leve a jantar fora, ao cinema e lhe ofereça flores e peluches pirosos como um casal normal. O problema é que as mulheres acham que conseguem mudar os homens e depois magoam-se quando isso não acontece. Sim, ele dá pequenos passos como dormirem na mesma cama e isso tudo e sim já ouvi zum-zum's mas esta mudança vai levar tempo. Até aqui nada de novo. Um romance normal e previsível mas com um pouco mais de ação e algumas maminhas e rabiosques (bem tonificados por sinal);
5º Há certos momentos em que parecem haver semelhanças com a Saga Twilight, especialmente com o Crepúsculo. Porque tudo acontece de repente, porque ambas as personagens femininas têm uma baixa autoestima, são meias apagadas e às vezes mais parecem não ter vontade própria, porque ambas as personagens masculinas inicialmente não demonstram sentimentos e, especialmente, numa altura em que dizem já não ter forças para se manterem afastados delas ou algo do género. Foi das primeiras coisas que pensei quando estava a ver o filme e, sinceramente, não gostei muito destas semelhanças;
6º  De todo o filme, o que mais gostei foi mesmo a banda sonora. Já foi elogiada por muitos e com toda a razão. Está excelente!;
7º Estava à espera de melhores abdominais... Apesar disso, as cenas mais sexy's estavam bem feitas mas, se queriam ver porno, desculpem filme errado. 

Não foi um filme do outro mundo. Foi demasiado falatório e isso elevou as expectativas de muito boa gente. Não foi muito bom nem muito mau. Safou-se. Contudo, é provável  que vá acabar por ver os restantes filmes. Curiosidade... 

Lembrem-se:
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Vanessa S.