Recentemente estive numa aula de debate que começou com o tema do casamento e acabou com traições. São temas sensíveis, as opiniões são várias e é engraçado ouvir outras perspetivas (por mais que não concordemos com elas). No entanto, a conversa tomou um rumo que definitivamente não estava a prever. A meu ver, acabou por ser defender o indefensável.
Um romântico incurável acabou por afirmar que alguém que tenha cometido uma traição e se tenha arrependido não o deve confessar ao marido/mulher/namorado(a). Isto porque, perante uma situação destas, a relação provavelmente acabará e o outro sairá verdadeiramente magoado. Ora, não é justo magoar com tamanha brutidade alguém que está apaixonado por nós perante um descuido. Este choque é um dos piores que se pode dar a alguém apaixonado, dor que está a par com a morte de um filho (havendo estudos que comprovam isto). Afirma ainda que são maioritariamente os homens que mais confessam este tipo de atitudes como uma forma de aliviar a carga cognitiva, que é como quem diz, de tirar o peso da consciência e procurar o perdão da mulher/namorada. Nesta ordem de ideias, o traidor deve carregar o peso do seu arrependimento de forma a manter a relação intacta. A verdade não deve prevalecer acima de tudo até porque nós não o fazemos diariamente nas nossas relações. Constantemente vemos uma pessoa na rua que, muito provavelmente preferíamos que não nos tivesse aparecido à frente e reagimos com um sorriso ou com um "gosto em ver-te". São as "regras" da socialização. Não podemos simplesmente andar por aí a tratar mal as pessoas.
Muito sinceramente nunca tinha pensado nas coisas desta forma. Consigo compreender o ponto de vista mas não consigo concordar com ele. Para mim uma traição não é um descuido e não acontece por acidente. Por mais chocante e dolorosa que a situação fosse preferia saber a verdade a viver uma mentira. Lá porque um carrega um peso na consciência quer dizer que o outro tem de carregar um peso na testa?! Se realmente existisse paixão ou amor isto não teria acontecido. Nunca estive numa situação destas, é verdade (que, segundo alguns estudos indicam, acontece a uma em cada duas pessoas). Ainda assim, não sei se alguma vez conseguiria perdoar um ato destes.
Contudo é uma visão bastante "ética" da relação com o outro.
Mas, até que ponto é que dizer uma verdade que pode magoar o outro pode ser considerado um ato de egoísmo?
Será preferível viver uma bela e apaixonada mentira ou uma dura realidade?
A questão impõe-se: Verdade ou Egoísmo?
Lembrem-se:
Keep your heels, head and standards high,
Vanessa S.










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